


Origem: da Brigada Real da Marinha ao Corpo de Fuzileiros Navais
A data oficial da história das Bandas dos Fuzileiros Navais no Brasil é 7 de março de 1808. Naquela ocasião, a Brigada Real da Marinha desembarcou na cidade do Rio de Janeiro acompanhando a chegada da Família Real portuguesa. Os músicos e corneteiros da tropa executaram dobrados vibrantes que ecoaram pelas ruas sob os aplausos da população, marcando o primeiro registro de música militar naval em solo brasileiro e cravando o início de sua existência ininterrupta no país. As bandas passaram a ter sede na Fortaleza de São José logo no ano seguinte, assim como o próprio Corpo de Fuzileiros Navais.
A origem dessa tradição, contudo, remonta a Portugal. Um Alvará da Rainha Dona Maria I autorizou, no dia 11 de novembro de 1797, a existência de "Múzica" na Brigada Real da Marinha, unidade que viria a dar origem ao CFN. O documento representa o preâmbulo histórico da corporação musical que cruzaria o Atlântico anos depois.


Sucessivos decretos, reorganizações e aperfeiçoamentos consolidaram a estrutura das formações musicais da Marinha e do CFN ao longo dos séculos XIX e XX. A nomeação de professores e maestros, a ampliação dos efetivos e a institucionalização das bandas elevaram progressivamente o padrão artístico. Nomes como os maestros João Pereira, Oswaldo Passos Cabral e o Patrono das Bandas de Música da Marinha do Brasil, Francisco Braga, destacam-se nesse percurso. A contribuição de Braga, autor do Hino à Bandeira, projetou a música naval ao mais alto patamar técnico e cultural do país.
O Almirante Protógenes Pereira Guimarães determinou a transferência de todas as formações para o Quartel-General do CFN, na Fortaleza de São José, no ano de 1932, criando um núcleo dedicado ao desenvolvimento técnico e à ampliação de repertórios. Essa decisão estruturou as bandas da maneira como se apresentam hoje.
As denominações ao longo do tempo
Uma única linhagem musical atravessou o Império e a República recebendo nomes distintos conforme as reorganizações da Força. O histórico registra títulos como Música da Brigada Real da Marinha, Banda do Batalhão Naval, Banda de Música do Corpo de Imperiais Marinheiros e Banda de Concerto do Corpo de Fuzileiros Navais. Os grupos não são conjuntos diferentes que se sucederam, mas a mesma tradição sob nomes sucessivos, razão pela qual a contagem histórica entrelaça a herança do Alvará de 1797 com o marco da chegada ao Brasil em 1808.
A música marcial, o dobrado tocado em movimento nas ruas e formaturas, foi o ponto de partida de tudo. O crescimento do efetivo e a ampliação do repertório permitiram que a tradição se desdobrasse em duas vocações complementares. A vertente marcial seguiu nos desfiles e cerimônias militares. Já a vertente de concerto ganhou o palco dos teatros. As duas formações convivem atualmente e frequentemente se apresentam juntas, como ocorre quando as gaitas de fole da Banda Marcial integram um concerto da Banda Sinfônica.


Relevância cultural: das ruas do Rio aos palcos do mundo
A conexão das bandas com a sociedade brasileira ultrapassa largamente o ambiente militar. A então Banda do Batalhão Naval acompanhou o tenor Vicente Celestino na primeira gravação do Hino Nacional Brasileiro, ainda em 1917.
A presença dessas formações no imaginário cultural do país refletiu-se fortemente na música popular. A cantora Emilinha Borba exaltou em suas canções a atuação das bandas no Carnaval, estabelecendo um paralelo entre o ritmo das primeiras escolas de samba e a batida marcial dos Fuzileiros Navais. O centenário da artista foi celebrado com uma regravação do clássico "Aí vem a Marinha" a bordo do Navio Aeródromo Multipropósito Atlântico, unindo as Bandas Sinfônica e Marcial à cantora Mona Vilardo em uma produção do Museu da Imagem e do Som.
O prestígio no cenário internacional inclui um concerto sinfônico realizado em homenagem a Sua Majestade a Rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckingham. As apresentações também alcançaram o Royal Edinburgh Military Tattoo na Escócia, o desfile militar de Paris e diversos festivais na Europa, América do Sul e Oriente Médio.
O conjunto sinfônico acumulou prêmios, sendo eleito a melhor banda do 5º Festival Internacional de Bandas Militares de Módena, na Itália. A inauguração do Teatro Tom Jobim, em Assunção, e a participação no 1º Festival Internacional da Cultura das Três Fronteiras, na Argentina, também marcam o currículo sul-americano.
O grupo participou das cerimônias dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e de eventos nas cinco regiões do Brasil. A consagração da tradição instrumental também trouxe para a Fortaleza de São José a sede do primeiro encontro da World Association of Symphonic Bands and Ensembles (WASBE) realizado na América Latina.



























